O livro mostra a realidade da polícia militar nas ruas de São Paulo dos anos 80. Publicado em 1992 pelo renomado jornalista Caco Barcellos, a obra, baseada em fatos reais, obteve enorme sucesso e prestígio, recebendo o Prêmio Jabuti de Reportagem daquele ano. Extremamente violento, Caco retrata o cotidiano de um grupo de extermínio que possuía uma espécie de pré-requisito de suas vítimas. Geralmente os mortos eram jovens negros, entre 18 e 23 anos, pertencentes à classes sociais desfavorecidas.
Ao longo da leitura do livro, o leitor se depara com a realidade nua e crua das ruas do subúrbio da capital paulista, muitas vezes escondida debaixo do tapete pelas autoridades públicas. Um caso em especial obteve grande repercurssão na mídia: a morte de três jovens de classe média. Usuários de drogas, o trio passeava pelas ruas da cidade, quando foi abordado pelo Rota 66 logo aos tiros, sem mais delongas. O grupo de policiais nem sequer fazia perguntas quando se via de frente com o alvo. A morte dos três rapazes culminou em definitivo com a revolta popular e ganhou um gigantesco espaço nas mídias nacionais. O autor Caco Barcellos precisou sair do país após o lançamento de "Rota 66", devido à ameças que sofreu por integrantes da própria Polícia Militar. Em recente entrevista cedida ao site Almanaque de Cultura Popular Brasil (www.almanaquebrasil.com.br), Caco conta que mergulhou de cabeça no universo dos crimes, investigando as irregularidades cometidas pelos membros da polícia. O livro é até hoje um marco.
O filme "Pixote - A lei do mais fraco", de 1981, trata da mesma temática: a sequência de crimes praticados pela polícia de São Paulo. O personagem principal, que dá nome à fita, foi interpretado pelo ator Fernando Ramos da Silva, conhecido de Caco Barcellos, que assim como Pixote, pertencia ao mundo do crime e das drogas das favelas paulistanas. Foi morto em 1987 pelos policiais e se firmou como o ponto definitivo para que Barcellos adaptasse a cruel realidade em seu livro, que obteve ainda maior êxito que o filme.
Eu particularmente acho que a adaptação artística desses casos são tão (ou mais) chocantes que a febre Tropa de Elite, que ficou na boca do povo por retratar a polícia insubornável, diferente dos da Rota, que agiam sem escrúpulos, exterminando culpados e inocentes.
Por Mayara Seaca

O que gosto muito em Tropa de Elite são seus personagens.
ResponderExcluirO corrupto e cômico Coronel Fábio, o batalhador Matias e Nascimento(principalmente depois que ele senta a púa naquele politico no 2º filme).
Eu tenho esse livro, é ótimo.. dá para ter uma visão bem clara de como as coisas são na verdade, sem muito "espetáculo", que é o que se espera de certos funcionários da Globo...
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